Manifestações orais da sífilis

Manifestações orais da sífilis
Categoria blog
2017-12-05 14:46:00

Os especialistas que lidam diretamente com as doenças sexualmente transmissíveis (DST) relatam que há um descaso crescente da populaçãp em relação a prevenção que possivelmente reflete na falta de investimento dos governos na conscientização, bem como a falsa impressão de que, após o advento de medicações que controlam melhor os indivíduos soropositivos, a AIDS transformou-se numa doença a ser menos temida ou uma patologia crônica como a hipertensão e a diabetes.

Desmistificando tal crença, é importante frisar-se que a AIDS continua sendo uma doença séria e além do mais, existem outras DST’s com bastante gravidade como as hepatites virais, o HPV e a sífilis. O cuidado na autoproteção com o uso de preservativos, tanto na penetração quanto no sexo oral, é mandatório. E por que um otorrinolaringologista resolve falar sobre DST’s? Primeiramente porque sou especialista, mas acima de tudo profissional da saúde e me cabe também orientar meus pacientes e o público em geral. Depois, porque examinamos órgãos inseridos num todo e existem manifestações otorrinolaringológicas destas doenças que podem ser os primeiros sinais e assim chave para o diagnóstico. Neste breve texto, darei ênfase a sífilis e suas manifestações orais.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, entre os anos de 2010 a 2015 houve um aumento de 5.000% nos casos, passando de 1.249  para 65.878 infectados.  No meu caso em particular, sou formado há 18 anos, nunca tinha visto no consultório lesões orais desta patologia. Somente neste ano, fiz três diagnósticos de sífilis com lesões orais.

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Os sintomas são divididos em três fases: a primária, a secundária e terciária. A sífilis primária aparece entre 3 a 90 dias após a contaminação. A lesão característica é o cancro duro que aparece na região de exposição como pênis, vagina, região perianal e na boca (no sexo oral desprotegido). A lesão é caracteristicamente indolor, com bordas bem delimitadas e elevadas (nos paciente em que tive a oportunidade de diagnosticar, todos apresentavam esta lesão na boca, uma na orofaringe e as outras duas na língua).

 A sífilis secundária é a evolução de um caso primário não cuidado, ou seja, se o diagnóstico não for feito na fase inicial por profissional habilitado e a doença não for adequadamente tratada, evoluirá para esta fase entre 4 a 10 semanas. A sífilis secundária é uma doença mimetizadora de outras, por isso é importante que o médico tenha um alto grau de suspeição. As lesões mais comuns são as roséolas sifilíticas, na boca apresentam-se como manchas avermelhadas e aparecem, em geral, junto com ferimentos cutâneos com característico acometimento das palmas das mãos e plantas dos pés. Outra lesão comum é o condiloma plano, que são placas na mucosa oral discretamente elevadas recobertas com pseudomembranas branco-acizentadas.

Em caso de não diagnóstico e tratamento, a sífilis entra em latência ou ”em incubação” que pode durar até 10 anos para seu reaparecimento, sendo esta a sífilis terciária. Neste caso, podem aparecer na cavidade oral lesões destrutivas no céu da boca ou atrofia da língua. Acometimentos severos em outas partes do corpo são comuns, como a neurossífilis.

A sífilis é uma doença de fácil diagnóstico para o profissional que esteja apto, de tratamento barato (utiliza-se ainda a penicilina benzatina como primeira escolha) e de prevenção simples e acessível. Não devemos ser negligentes com o uso de preservativos e com o sexo seguro. É importante ressaltar que devido a disseminação da AIDS e das DST’s não existem mais grupos de risco e sim comportamentos de risco, a contaminação pode ser feita num único ato sem a devida proteção, por esta razão é necessária uma conscientização maciça da população.

 

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