Conversando sobre a tal incômoda afta

Conversando sobre a tal incômoda afta
Categoria blog
2015-08-12 15:02:11

Uma parte considerável da população convive com aqueles ferimentos na boca, que com frequência estão de volta incomodando: as aftas.  Para esta condição a medicina, como sempre, inventou um nome mais rebuscado para designá-la – estomatite aftosa recorrente (EAR). O radical stóma vem do grego e significa boca e o sufixo latino itis, inflamação, portanto estomatite, algo como inflamação na boca.

Estas aftas são lesões ulceradas, neste caso bem dolorosas, envoltas por um halo avermelhado, com um fundo esbranquiçado. A estomatite aftosa recorrente então, aparece frequentemente na adolescência, apresenta lesões aftosas, geralmente de pequeno tamanho (menores que 1 centímetro), na maioria das vezes, bastante dolorosas, como disse, únicas ou não, que demoram normalmente não mais do que 10 dias para desaparecer espontaneamente.  Costumam reaparecer num prazo de 15 a 30 dias, daí o nome recorrente. Grande parcela da população, algo em torno de 10 a 20%, padece desse desconforto.

Ainda não foi descoberta uma causa específica para a estomatite recorrente. Vários autores já tentaram implicar infecções virais, como a ocasionada pelo vírus da Herpes, da catapora e outros, mas os resultados foram inconclusivos. Parece que realmente deve-se a distúrbios da regulação do sistema imunológico.

Como os portadores bem o sabem, seu aparecimento é precipitado pelo estresse emocional – períodos que antecedem às provas, entrevistas de emprego, etc. e traumas locais, como os acasionados durante a escovação dentária. Algumas deficiências de determinadas vitaminas e componentes como vitamina B12, folato e ferro também são imputadas.

Quanto ao aparecimento, alguns pacientes podem relatar sintomas prévios com coceira (prurido) e queimação no local do aparecimento da lesão. Em alguns casos é precedida por um pequeno nódulo. Rapidamente então, surge o aparecimento da lesão aftosa, em geral pequena, mas em alguns casos pode assumir tamanhos maiores, ou mesmo aparecer em uma quantidade bastante numerosa, levando-nos a pensar, inclusive, na infecção pelo vírus da Herpes – a estomatite herpética primária, que em seu primeiro contato, em crianças e adolescentes, pode assim se apresentar, mas o que difere é que as aftas, neste caso,  são precedidas por bolhas. O desaparecimento das lesões na estomatite aftosa normalmente não deixa cicatrizes.

É importante que se diga que existem outras condições clínicas que cursam com lesões aftosas na boca como doenças dermatológicas que apresentam lesões em mucosas, hematológicas, infecciosas e tumorais. Casos com aspecto atípico ou evolução anormal devem sempre ser biopsiados. Portanto, o acompanhamento médico com especialista é imprescindível para a identificação destas situações.

O tratamento é feito primeiramente com o auxílio de anti-inflamatórios e analgésicos orais, para alívio da dor. Os corticosteroides tópicos em forma de pomada em orabase podem reduzir o tempo de doença. Em casos mais graves, a critério médico, lançamos mão dos corticoides orais por período curto. Muitos remédios caseiros são usados pela população com auto-prescrição e nenhum deles mostrou eficácia comprovada.

Alguns medicamentos visam evitar a recidiva da doença e devem ser prescritos em casos bastante restritos. Nas situações quando o fator psicológico é fortemente implicado, a psicoterapia está indicada.

Apenas para citação, a Síndrome de Behçet, deve sempre ser lembrada. É caracterizada por uma tríade sintomática clássica: aftas orais, lesões aftosas em região genital e uveíte (inflamação de determinada região do olho). Virtualmente todos os pacientes com esta síndrome apresentam lesões ulceradas na boca, mas as úlceras genitais aparecem em torno da metade dos pacientes. É uma síndrome muito prevalente no Oriente, mas que eventualmente encontramos em nossa população devido ao nosso componente multirracial. Não existe causa definida para esta síndrome.

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