Cera do ouvido, quando removê-la?

Cera do ouvido, quando removê-la?
Categoria blog
2015-08-12 15:25:28

Neste post trataremos de tema nada espinhoso porém bastante comum nos consultórios de otorrinolaringologia: as rolhas de cera.

O conduto auditivo faz parte do ouvido externo e tem a função precípua de conduzir as ondas sonoras do meio externo para o ouvido médio e dar continuidade ao processo de percepção do som. O canal auditivo tem um formato tortuoso, é recoberto por pele e repleto por glândulas sebáceas diferenciadas produtoras de cera ou cerúmen. O cerúmen, ao contrário do que muitos pensam, não é sujidade, forma sim forma uma camada protetora no epitélio tornando o que seria um ambiente escuro, quente e úmido, bastante propício ao crescimento de micro-organismos como fungos ou bactérias, mais inóspito a eles. É bastante comum então atendermos pacientes que têm o hábito de introduzir hastes de algodão no conduto auditivo para uma suposta limpeza, causando traumas, conduta que deve ser desestimulada tanto pela possibilidade de causar lesões traumáticas quanto pela lembrança de que a cera é na realidade uma proteção e não uma impureza. Na realidade, as hastes de algodão devem ser usadas para o asseio do meato acústico externo, ou seja, a região do pavilhão auditivo mais à mostra por uma questão mais social do que médica, jamais introduzidas no canal.

Eventualmente deparamo-nos com alguns pacientes com exame do ouvido (otoscopia) normal que nos procuram para realizar uma limpeza no ouvido, como se este órgão assim o necessitasse. É importante frisarmos que é desnecessária a limpeza do ouvido em indivíduos com otoscopia normal. Grande parte dos indivíduos passarão toda uma vida sem nunca fazê-la!

Em outras ocasiões, alguns pacientes com perdas auditivas severíssimas vão ao consultório achando que uma simples lavagem de ouvido resolveria seu problema de perda auditiva. Ora, se tão simples assim fosse, não existiriam empresas voltadas a vender os conhecidos aparelhos auditivos e a desenvolver toda uma tecnologia que a cada dia avança a passos largos para dar um conforto maior aos pacientes com os mais variados graus de surdez.

Por outro lado, possuímos uma clientela cativa de pacientes que nos procura regularmente devido ao acúmulo exagerado de cerúmen e em muitos deles formam verdadeiras rolhas o que causa perda auditiva, eventualmente zumbido, vertigem, sensação de ouvido “cheio de água” , “estar falando pelo ouvido” ou que “a água entrou e não saiu”. Muitos pegos de surpresa durante viagens, passeios ou finais de semana em praias ou em ambientes com piscinas que ao mergulharem são surpreendidos pelo incômodo desconforto descrito acima. É fácil concluirmos que nos indivíduos sem anteparos à saída da água, ela sai pelo conduto auditivo ou evapora, por tratar-se de um canal fechado pela membrana do tímpano, logo a sensação de que a “água entrou e não saiu” só ocorre quando há algum impedimento à sua eliminação, neste caso a rolha ceruminosa. A regularidade na procura destes pacientes é variável e alguns comparecem aos nossos consultórios, por necessidade, até trimestralmente. Outros, já bastante acostumados com o problema, já começam a usar gotas emolientes de cera, para a amolecê-las, antes da consulta, mesmo contra nossa orientação, para facilitar a remoção. As gotas otológicas emolientes de cera (ceruminR) servem para amolecê-las e não para removê-las e as vezes nos deparamos com um paciente com a queixa de que “pingou o remédio mas que continua surdo” ou “ficou mais surdo após pingar o medicamento”. Há sempre a necessidade da remoção. Esta por sua vez se faz por lavagem com água morna em consultório, aspiração ou com uso de curetas otológicas por otorrinolaringologista. Quando realizada por profissional médico habilitado é atraumática, indolor, rápida, com alívio sintomático imediato. No interior do Brasil, é relativamente comum a prática da realização deste procedimento por profissionais não médicos, em algumas ocasiões até por balconistas de farmácias, prática que deve ser abolida e sempre desestimulada devido aos riscos de lesões a membrana do tímpano e outros traumas não menos importantes.

Antes de viagens, principalmente a regiões de praias ou de piscinas, uma consulta de rotina ao otorrino de confiança é sempre interessante para evitar-se o acontecimento de tal desconforto durante o passeio, o que muitas vezes pode levar a turbulências indesejáveis que são de fácil prevenção.

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