A fístula rinoliquórica

A fístula rinoliquórica
Categoria blog
2016-02-03 17:10:08

Nosso sistema nervoso é envolto por três membranas que se chamam meninges: a dura-máter, a aracnoide e a pia-máter. A aracnoide separa-se da pia-máter pelo espaço subaracnoideo, que contém o líquido cerebroespinhal ou líquor. Este líquido é aquoso, incolor e tem a função primordial de proteger nosso sistema nervoso de traumas mecânicos.

Antes de falarmos sobre fístula liquórica, gostaria de introduzir o conceito de fístula. O vocábulo latino fistula significa canal ou tubo. Em medicina, fístula significa um canal patológico que faz a comunicação entre duas vísceras, entre uma víscera e a pele ou entre duas cavidades, neste caso em particular que discutimos, a rinoliquórica é a comunicação entre a cavidade nasal e o compartimento intracraniano, com exteriorização do líquor.

A fístula rinoliquórica ocorre principalmente após o trauma craniano que muitas vezes é de baixa intensidade porque uma das regiões mais frágeis e finas da cavidade craniana forma o teto do nariz. Dentre as causas traumáticas estão as fístulas que ocorrem após algumas cirurgias como as endoscópicas nasais. A título de curiosidade, podem ocorrer também de forma espontânea, ou seja, sem um fator causal, em mulheres na faixa etária de 30 a 40 anos.

Normalmente a fístula rinoliquórica apresenta-se como exteriorização de líquido cristalino (líquor) em uma das narinas, principalmente quando o paciente abaixa a cabeça ou realiza manobras que aumentem a pressão intra-abdominal. Outros sintomas associados são a diminuição ou ausência de olfato, dor de cabeça e em alguns casos o paciente pode cursar com meningites repetitivas.

O diagnóstico se faz através da coleta de pequena quantidade do líquido exteriorizado pela narina e detecção da beta-2-transferrina. A localização do sítio da fístula é feita após a injeção de substância uma substância fluorescente (fluoresceína) no espaço onde o líquor circula e/ou através de exames de imagem como a tomografia e ressonância magnética.

O tratamento da fístula rinoliquórica pode ser clínico ou cirúrgico. De um modo geral, as que ocorrem pós-trauma tendem a resolução espontânea. O tratamento cirúrgico pode ser feito por via externa, habitualmente realizado por neurocirurgiões e por via endonasal, rotineiramente feita por otorrinolaringologistas habilitados em cirurgia endoscópica.

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